A toxicodependência é uma doença emocional - Press : Villa Ramadas

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A toxicodependência é uma doença emocional

A toxicodependência é uma doença emocional

30-08-2002

Notícias de Vizela

O Notícias de Vizela, nesta edição, dá lugar a uma entrevista com um representante de um centro de tratamento que aborda áreas como a toxicodependência, o alcoolismo, processos de luto e problemas de abusos, como também casos de bulimia e anorexia.

Qual o principal objectivo deste centro de tratamento?

Villa Ramadas tem uma filosofia muito própria em relação à vida, pretendemos sensibilizar as pessoas e tratar aqueles que mais necessitam. É um centro que tem supervisão inglesa, que tenta fazer a diferença, nomeadamente nas abordagens em que trabalha. Esta instituição não remói no problema, mas trabalha em busca de soluções. Não nos centramos no passado dos pacientes mas no seu presente e no seu futuro.

Qual o tipo de tratamentos utilizados por esta instituição?

Para uma doença como esta, que se apresenta primária e fatal, a nossa instituição utiliza como base o processo de Minnesota, que consiste na abstinência total de qualquer substância química. Não usamos medicamentos em prol de uma terapia mais saudável, que se constitui como a teoria da fala, em sessões individuais e de grupo, onde todos se inter-ajudam.

Será possível a libertação das drogas, sem um tratamento pós-desintoxicação?

Há excepções, existem pessoas que deixam a droga, sem qualquer tipo de tratamento. Mas são poucas, em 100, talvez uma. Apenas quando o toxicodependente reconhece que sozinho não consegue e parte em procura de ajuda, é que dá início à aceitação do próprio problema, à necessidade de mudança. É importante para o adicto resolver o seu problema no meio em que está inserido, junto da sua família, pois a mudança ganha forças quando este enfrenta o problema de frente, não quando foge dele.

De que forma actua Villa Ramadas, aquando do final do tratamento?

No final do tratamento, o paciente continuará a ter apoio, o chamado “After-care”, que terá lugar todos os sábados, durante um tempo indeterminado. Trata-se de uma manutenção para manter viva a recuperação do paciente. Para uma reinserção social viável, é realizada uma avaliação das dificuldades do indivíduo na sociedade e uma intervenção direccionada focada no indivíduo, pois cada pessoa é única e tem a sua própria forma de recuperar.

Como se desenvolve o apoio à família?

Logo desde que o paciente dá entrada em Villa Ramadas, é feita uma análise das suas áreas mais decadentes, onde terá lugar a família. Desta forma, os familiares podem dispor, gratuitamente, de uma terapia familiar. A família do adicto precisa da mesma ajuda do paciente, porque esta doença acaba por ser contagiante. As pessoas que vivem no activo com o toxicodependente acabam por perder o governo da sua vida, pois o problema é emocionalmente muito intenso. É preciso praticar um amor firme para suportar este tipo de situação. É terrível a dor de ver um filho e não saber o que fazer. Fica sempre o medo da recaída, pode-se perdoar o passado mas nunca se pode esquecê-lo.

Villa Ramadas conta com o apoio do Estado?

O Estado fornece uma série de camas convencionais protocoladas a diversos centros de tratamento. A nossa instituição não optou por este tipo de protocolo com o Estado, porque achamos que podemos ter uma maior objectividade e coerência com a nossa própria filosofia.

Até que ponto o nosso país está sensibilizado para este problema?

O problema da toxicodependência apresenta-se em grande escala. O Estado e outras instituições têm dinamizado muitas campanhas de prevenção, o que é muito bom. A situação está a piorar, agora temos o ecstasy, que muitos apelidam de droga do amor e não têm conhecimento dos seus verdadeiros sintomas a longo prazo. Contudo, o ecstasy é ainda mais fatal do que as drogas duras.

Como encara o consumo de ecstasy? Quais as suas principais consequências?

Os consumidores de ecstasy acabam por se isolar, por perder a sua auto-estima, sem capacidades para fazer seja o que for. Não podemos exigir responsabilidade a um adolescente, que como todos passa por uma fase – a procura de identidade. Primeiramente, pensava-se que esta droga não viciava, mas a verdade é que vicia bastante. Existem aqueles que não conseguem parar e fazem disto modo de vida, dando início a uma disfunção muito grande entre “aquilo que a pessoa é e o que não é”. A pastilha pode tornar-se um consumo diário. O problema é que nunca dizem que vão parar amanhã, mas sim que só por aquele dia vão consumir.

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