Toxicodependência part-2 - Press : Villa Ramadas

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Toxicodependência part-2

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01-02-2003

António Sérgio, Jornal O Primeiro de Janeiro

Em Villa Ramadas, o tratamento é direccionado para as três vertentes que mencionou?

Sim. O trabalho de grupo, terapias individuais e workshops, desenvolvem a vertente emocional dos pacientes. Existe um apoio e ajuda muito grandes, são pessoas que também já estiveram na mesma situação, que compreendem, que têm uma atitude de apoio, de compreensão, não existe ali a ideia de julgar...

De forma a que a pessoa que está a passar pelo processo terapêutico não se sinta sozinha...

Exactamente. É muito importante que aqui se sintam em segurança, se sintam integrados. Os laços que se estabelecem entre pessoas que se estão a ajudar umas às outras são tremendos. O grupo, quando funciona bem, é espantoso e funciona melhor do que qualquer outra coisa.

Após o tratamento, o regresso de uma pessoa ao seu meio constitui sempre uma fonte de preocupação...

Nós aqui temos o After-care ou “pós-tratamento” todas as semanas. Todos os sábados, as pessoas que já completaram o tratamento regressam cá nas seis semanas subsequentes e depois sempre que quiserem. Antes de partirem é-lhes dado um contacto, alguém com quem podem falar. Podem sempre telefonar para cá, mas ficam também com um contacto exterior, alguém que já completou tratamento aqui. Também será encorajado a frequentar grupos de Narcóticos Anónimos ou Alcoólicos Anónimos. Tudo isso é feito antes de partirem.

Outro tipo de problemas, como problemas judiciais ou familiares, é também objecto de atenção porque muitas vezes estas pessoas, devido à sua dependência, danificaram bastante as suas relações sociais e familiares.

Referiu as famílias dos toxicodependentes...

Exacto. Muitas vezes os pais têm tendência a culparem-se a si próprios. Penso que é muito importante que os pais venham cá pelo menos uma vez, que falem com os conselheiros porque, de certa forma, irão passar o resto das suas vidas a pensarem que talvez não tenham feito tudo o que podiam. Penso que é importante trazer os pais para este processo e ajudá-los com a sua dor. Este problema é, provavelmente, o pior problema que pode afectar uma família.

Tem alguma ideia de quantas pessoas, depois de finalizado o tratamento, não voltam a usar drogas?

Bem, nesse aspecto, a nossa rede de apoio funciona bastante bem. Se alguém não está num bom momento, geralmente acabamos por ouvir falar disso e fomentamos um acompanhamento mais próximo. Se acontecer uma situação de recaída, o apoio tem que ser feito sem juízos de valor. Se eles sentirem que vão ser julgados, então não virão.

Muitas destas situações de recaída podem perfeitamente ser um erro que não repetirão, mas aí é importante o apoio do grupo, senão poderão voltar a recair.

Mas atenção, a recaída não é algo que tenha necessariamente de acontecer. Uma recaída é quase sempre planeada. É preciso arranjar o dinheiro, comprar a substância, encontrar os meios para a consumir. É uma coisa pensada e normalmente acontece quando a pessoa já não se sente feliz outra vez, está chateada com alguma coisa, ou até está bem e perde a noção de que esta é uma doença crónica que não irá nunca desaparecer. Pode-se recuperar da doença da adição e a pessoa pode manter-se recuperada, mas um contacto com a substância de habituação recomeça uma autêntica bola de neve.

A adição é uma doença, não uma fraqueza ou um mau momento pelo qual se passou. É uma condição que pode muito bem ser tratada, desde que a pessoa se mantenha afastada da substância, um dia de cada vez.

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